última atualização 21-05-2026

Exercício "Flaneur da realidade"

    Walter Benjamin concebe o flâneur como uma figura emblemática da modernidade urbana do século XIX, especialmente associada às arcadas de Paris. Para o filósofo, o flâneur é o observador solitário que caminha sem destino fixo pela cidade, transformando o ato de andar em uma prática de conhecimento e resistência. Ele não é apenas um pedestre, mas um etnógrafo urbano que, ao vagar pelas multidões, decifra os signos da vida metropolitana e os fetiches da mercadoria. Em sua relação ambígua com a multidão, o flâneur mantém uma distância crítica: está imerso no fluxo da cidade, mas preserva uma postura contemplativa que lhe permite captar as contradições do capitalismo emergente. Benjamin vê nessa figura uma potencialidade metodológica: o flâneur pratica uma "leitura" da cidade que antecipa a crítica cultural, revelando como os espaços urbanos condensam memória, desejo e alienação. Assim, longe de ser um simples diletante, o flâneur benjaminiano encarna uma forma de consciência histórica que, ao recolher os fragmentos do cotidiano, ilumina as ruínas do progresso e mantém viva a possibilidade de resgatar, no passado, as "chispas de esperança" para o presente. 



EXERCÍCIO


Baseado nesse personagem que surge o exercício "Flaneur da realidade"

Inspirado na figura do flâneur de Walter Benjaminx, aquele caminhante atento que, ao perambular pela cidade, colhe fragmentos, ruínas e lampejos da modernidade , propomos um exercício de observação que convida a uma pausa deliberada: sentar-se em qualquer lugar, seja numa praça movimentada ou no canto silencioso de casa, e dedicar cinco minutos a um único "enquadramento", deixando o olhar vagar sem pressa sobre o que habitualmente se torna invisível pelo hábito. Nesse intervalo suspenso, o que antes era apenas fundo pode revelar-se como narrativa: o jogo de luz numa parede, o gesto repetido de um transeunte, a textura de um objeto esquecido, a coreografia involuntária entre corpos e espaços. Mais do que um treino técnico do olhar, trata-se de uma prática política e estética de desnaturalização, onde o aluno, ao assumir a posição do flâneur, aprende a ler o mundo não como espetáculo pronto, mas como campo de disputas, memórias e possibilidades, fundamento essencial para uma educação audiovisual que forme sujeitos críticos, capazes não apenas de consumir imagens, mas de interrogá-las e recriá-las a partir de sua própria experiência sensível do real.


Peça para seus alunos e alunas que saiam da sala ou permaneçam na sala. Peguem o celular e marquem 5 minutos e fiquem observando aquele espaço enquadrado. O que ele apresenta para seu olhar


No retorno para sala, peça o que os alunos falem o que cada um viu e o que tornaria um filme. 


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