Na produção do “Vídeo de autorretrato”, os alunos devem produzir um pequeno curta-metragem baseado na sua experiência cotidiana e na representação de si: o caminho para a escola, o tempo livre em casa, entre outras coisas. Os alunos ficam responsáveis por todas as etapas da produção, que tem um caráter mais livre por ser o primeiro contato dos mesmos com a produção.
Exemplos: Série de autorretratos mostra a diferença entre o que somos ao acordar e o que mostramos para o mundo - https://www.hypeness.com.br/2016/09/serie-de-autorretratos-mostra-a-diferenca-entre-o-que-somos-ao-acordar-e-o-que-mostramos-para-o-mundo/?utm_source=facebook&utm_medium=hypeness_fb&fbclid=IwAR0KqxQdlFygYaFAXxeizTRTuauU_vCRDzUnojtg1F_JDjZjDxKl8rqWIQU
Borges e eu
Conto de Jorge Luis Borges
Ao outro, a Borges, é que se sucedem as coisas. Eu caminho por Buenos Aires e me demoro, talvez já mecanicamente, para olhar o arco de um vestíbulo e o portão gradeado; de Borges tenho notícias pelo correio e vejo seu nome numa lista tríplice de professores ou num dicionário biográfico. Agradam-me os relógios de areia, os mapas, a tipografia do século XVIII, as etimologias, o gosto do café e a prosa de Stevenson; o outro compartilha essas preferências, mas de um modo vaidoso que as transforma em atributos de um ator. Seria exagerado afirmar que nossa relação é hostil; eu vivo, eu me deixo viver, para que Borges possa tramar sua literatura, e essa literatura me justifica. Não me custa nada confessar que alcançou certas páginas válidas, mas essas páginas não podem me salvar, talvez por que o bom já não seja de ninguém, nem mesmo do outro, mas da linguagem ou da tradição. Além disso, estou destinado a perder-me, definitivamente, e só um ou outro instante de mim poderá sobreviver no outro. Pouco a pouco lhe vou cedendo tudo, embora conheça seu perverso costume de falsear e magnificar. Spinoza entendeu que todas as coisas querem perseverar em seu ser; a pedra eternamente quer ser pedra e o tigre um tigre. Eu permanecerei em Borges, não em mim (se é que sou alguém), mas me reconheço menos em seus livros do que em muitos outros, ou do que no laborioso rasqueado de uma guitarra. Há alguns anos tentei livrar-me dele e passei das mitologias do arrabalde aos jogos com o tempo e com o infinito, mas esses jogos agora são de Borges e terei de imaginar outras coisas. Assim minha vida é uma fuga e tudo eu perco e tudo é do esquecimento, ou do outro.
Não sei qual dos dois escreve esta página.
Jorge Luis Borges. O fazedor. Tradução Josely Vianna Baptista. Companhia das Letras, 2008.
EXERCÍCIO
O exercício consiste em propor ao aluno produção de um vídeo que seja seu autorretrato. Mas qual autorretrato produzir para ser visto em um vídeo? Quem sou quem, visto pelos outros? Constante transformação. O que exponho no vídeo sou eu mesmo? Diálogo com o episódio do Black Mirror (Volto Já - E1T2) - Site oficial
INDICAÇÃO DE FILMES
Pelas Ruas de Paris
Anna (Noémie Schmidt) é uma jovem parisiense que, depois de ter uma experiência que a aproxima da morte, enfrenta uma crise em seu relacionamento. Entre tensões sociais e protestos, misturando sonhos e a realidade, a cidade se torna um espelho para o sentimentos de Anna.
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